No meio de tantos sintomas mentais, detectamos a presença do tédio existencial.
Dias atrás uma paciente, depois de batalhar, alcançou duas metas ao mesmo tempo. Antes ela estava frustrada porque não conseguia encaminhar a sua vida pessoal e profissional. Seis meses depois, ela tinha resolvido essas duas questões. Estava bem, mas entediada.
Na consulta, ao perceber isso, lancei a ideia de que agora ela estava sem desafios! Imediatamente seus olhos voltaram a brilhar.
O tédio existencial é um estado emocional permanente e transitório. Ele é permanente porque faz parte da natureza da própria vida. A vida, se analisada no microscópio, não tem um sentido pré-determinado. Ou você cria um sentido ou vai sempre trombar com o nada. E é transitório porque logo que você se ocupa, ele sai de cena e volta para os bastidores.
Viver é, portanto, entre outras coisas, ocupar-se com atividades que desviem a sua atenção da inexistência de um sentido existencial.
Todo e qualquer sentido é adotado( ou implantado)por cada um( em cada um )durante a vida. Pode ser uma ideologia, uma religião, um trabalho ou uma família. Mas nenhum sentido é mais importante que outro, a não ser pelo juízo de valor de quem o adota. Ou o juízo de valor de quem o julga.
O que é vida? Existem muitas explicações.
Qual o sentido da vida? Existem escolhas, mas a certeza de um sentido único não existe.
Quando você sai de cena desse teatro vivencial, e tira as vestes, vai para os bastidores, sem plateia ou aplausos, encontra o silêncio da sua consciência.
E a consciência questiona. São as dúvidas existenciais!
E para calar a consciência, basta voltar para o palco e assumir algum personagem novamente.
Que personagem vale a pena?
Esse personagem permite que você viva realizado ao encontrar todo o seu talento?
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