terça-feira, 12 de maio de 2015

Menos é mais



"A riqueza de um homem é medida pelas coisas de que ele pode abdicar."

" O pior baque é ser rico, acostumar-se com a riqueza e depois ficar pobre."

Essas frases me levam a pensar no que verdadeiramente constitui uma riqueza.

Riqueza é aquilo  de que podemos abdicar ou aquilo de que não podemos abdicar?

A riqueza, na minha opinião, é a saúde! Sem ela, o resto é o resto. Causa-me um misto de estranheza ver pessoas com o pé na cova economizando dinheiro ou falando em dinheiro. Aí me ocorre que uma pessoa morre exatamente da mesma maneira que vive.

Então, riqueza é o que temos! 

Se precisamos de menos coisas para sermos ricos, então seremos ricos com mais facilidade. A riqueza depende da qualidade do que temos, não da quantidade.
Quem precisar acumular  mais e mais bens materiais, pode continuar pobre, mesmo tendo dinheiro.

Ter riqueza e ser rico não são sinônimos. Se você acumula bens materiais e não usufrui deles, não é rico. Se você usufrui das riquezas, mesmo sem acumulá-las, você é rico, sem riquezas.

Então, acumular riquezas é um contra-senso. A não ser que isso seja muito importante para a sua Felicidade. Vá em frente.  Talvez você queira deixar uma herança polpuda para os descendentes disputarem entre si.

Não estou advogando que seja errado acumular bens materiais, nem que alguém deva dilapidar o patrimônio antes de morrer. Defendo o bom senso de não trocar a vida pelos bens materiais.

Durante a vida é relevante descobrirmos o que constitui "riqueza" e o que é um "supérfluo". Para vivermos bem, precisamos viver como ricos, usufruindo do " supérfluo". Mas o supérfluo não precisa constituir a riqueza,  nem ser eliminado para aumentar a riqueza material.

O que precisamos para viver bem?

Atender a todas as nossas necessidades pessoais, inclusive usufruindo do "supérfluo". 

O que não precisamos para viver bem?

Sacrificar a vida por bens materiais e abdicar do supérfluo para acumular mais riquezas.

Tenho uma lista de supérfluos de que não abro mão: IPhone, Apple TV, tênis de corrida com amortecedores, comidas saudáveis, viagens para o exterior, cursos de autodesenvolvimento, jantar fora, massagem, roupas confortáveis , óculos com armação "fashion", relógio maneiro, perfumes, livros e motorista particular.

Tenho uma riqueza de que necessito: Saúde!



segunda-feira, 4 de maio de 2015

Alugo cérebros, mas não os compro



Descobri que alugar cérebros é como alugar filmes. Assisto-os e depois os devolvo. Ou melhor, tendo Apple TV, assisto e depois arquivo.

Comprar filmes já demonstra que estou virando um colecionador. E comprar cérebros, ou melhor dizendo, as representações mentais de pessoas, é aderir à uma ideologia.

E qual a ideologia que vai resolver todos os meus problemas? Nenhuma. O que acontece é que muitas ideologias vão melhorar a minha vida, de alguma maneira parcial.

Então, a postura mais favorável para usufruir das possibilidades é alugar a mente de pessoas diferentes que considero "úteis" para facilitar a minha vida.

E como ficamos mais inteligentes quando mais de uma mente se conjuga para nos ajudar a pensar.  Podemos enxergar as coisas de diferentes perspectivas. Podemos ter "insights", epifanias, enquanto navegamos nas mentes alheias.

Descobriu-se que temos uma memória de trabalho, que é uma espécie de "equilibrista de pratos". Essa memória consegue girar 4 pratos( pedaços de informação) ao mesmo tempo, mantê-los em rotação, sem deixar cair no chão. Mais do que isso, algum prato vai cair. A nossa memória de trabalho lida bem com 4 pedaços de informação ao mesmo tempo.

Quando alugamos mentes, essa memória de trabalho se expande! E se pensarmos enquanto os outros pensam, vamos girando mais e mais pratos, com a confluências de ideias diversas, que se potencializam ou se chocam! Ao se chocarem geramos percepções novas! Vira uma sinfonia de pratos. Uma sinfonia de ideias!

A memória de trabalho aumentada aumenta a inteligência. 

Vou indicar o YouTube como um local para alugar mentes. Pode ser o TED.  Pode ser o encontro com pessoas que estudam o que você gostaria de saber mais. Escute um Podcast sobre assuntos diversos. Mas você precisa ser curioso e participar ativamente. Pode ser um simples livro.

Eu expando a minha mente enquanto trabalho! Enquanto navego nas mentes de meus pacientes, " cognições" me assaltam, percepções me visitam, memórias dançam na minha imaginação. 

Trabalhar expande a minha inteligência! 

Quando chego em casa, volto a ter a minha mente primária, solitária. Aí, alugo a mente da minha esposa e fico inteligente outra vez! 

Essas mentes que alugamos são determinantes na nossa vida. São os chamados conselheiros. Os cinco conselheiros na sua vida determinam o seu sucesso ou fracasso potencial, pois alimentam o seu pensamento diário.

O psiquiatra ou psicólogo também funcionam como essa mente alugada, entre outras funções. 

Da mesma maneira que alugo cérebros, não vendo o meu cérebro, alugo-o num encontro chamado consulta ou psicoterapia. E dou o meu melhor para que o paciente fique mais inteligente nessa interação.

Quem aluga a sua mente?
Você aluga a mente de quem? 
Vocês estão girando mais ou menos pratos? 
Alguns pratos estão quebrando? Por quê?

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Congressos Médicos e Experiências



Estou neste exato momento no Congresso Mundial do Cérebro, Comportamento e Emoções - 2015, em Porto Alegre.

Por que ainda participamos de congressos em  pleno 2015 ?

 Todas as palestras que assisto aqui podem ser acessadas online pelo valor de 250 reais.

Congressos médicos podem desaparecer com os anos, mas acredito que continuaremos  indo a congressos em busca de experiências! 

Que outro lugar teríamos a oportunidade de reencontrar colegas e trocar experiências?

Estou falando do intercâmbio de ideias, da convivência recreacional, da socialização, do afastamento das rotinas estafantes de trabalho. Estou falando de turismo também. Viajar nos possibilita desligar do dia-a-dia e recarregar as baterias.

O que eu posso aprender em 3 dias de convivência com os colegas é mais do que posso aprender solitariamente no consultório por meses. Isso porque terei acesso  à perspectiva de alguém que entende  e lida com os mesmos dilemas e angústias que enfrento profissionalmente.

Temos os jantares, os cafezinhos, os lanches, o hotel, o café da manhã do hotel, os espetáculos culturais e muito mais. É uma gama de atividades que chacoalha a nossa rotina de trabalhar e trabalhar e trabalhar.

Aprendi várias coisas novas dentro das salas de estudo e mais ainda fora delas.
Reencontrei colegas de residência médica, que me enriqueceram com as suas percepções.

Claro que , para acessar os conteúdos online por 250 reais, é preciso pagar a inscrição, que custou muito mais. E quando vamos a congressos, deixamos de atender os pacientes e ficamos sem remuneração.

Resumindo,  investimos muito para irmos a congressos, e graças ao apoio científico de alguns laboratórios, podemos ir a congressos com mais frequência que poderíamos sem esse suporte. Tudo isso dentro da lei, dentro das regras da ANVISA. 

Sem essas condições todas, ficaria inviável participar dos eventos.