Se o medo da loucura está no inconsciente coletivo, o risco da loucura está na realidade do psiquiatra.
A profissão médica é " muito exigente e exigida", como dizia o saudoso poeta( e psiquiatra) santa-mariense Prado Veppo. E a psiquiatria imprime um risco aumentado de adoecimento nos seus praticantes.
O psiquiatra se suicida mais que em outras especialidades. E , acredito eu, submetido à "dupla pressão mental", apresenta um risco maior de sucumbir ao estresse. A pressão é lidar com os problemas mentais alheios e as suas próprias angústias interiores.
Como psiquiatra, tenho a responsabilidade de vigiar a minha própria saúde mental e física para estar suficientemente bem para cuidar da saúde da minha paciente. E brinco sempre que o nosso tempo de vida útil não é ilimitado.
Escutar queixas faz parte da profissão. E muitas vezes as queixas são legítimas. Outras vezes são fantasiosas. Mas o esforço do profissional está em manter o seu próprio espaço mental livre dessas queixas! Não se contaminar.
E construir um espaço mental saudável a despeito das queixas cumulativas, das "loucuras" alheias, da distorção de pensamento, das pressões da família do paciente e da sociedade faz parte da nossa faxina mental.
É um trabalho hercúleo! E qual o trabalho que levado a sério não o é? Precisamos conhecer nossas forças e fraquezas e sempre respeitar os limites humanos de bem-estar.
Para ser psiquiatra, ou professor, ou qualquer profissão que lida com a complexidade humana são necessárias humildade e aprendizagem constante.
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