domingo, 14 de junho de 2015

PALESTRA- TDAH, Compartilhando Experiências Clínicas

Reuniram-se no dia 09/06/15, na churrascaria Bovinus, residentes de Psiquiatria, um neurologista, colegas psiquiatras, com o apoio científico do Laboratório Novartis.

O objetivo foi compartilhar experiências clínicas no diagnóstico e tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade ( TDAH ) em adultos.

O palestrante , Marcos Ferreira , foi o moderador do debate e abordou o tema ressaltando os seguintes pontos:

- Somente um adulto em cinco adultos portadores de TDAH recebe o diagnóstico e tratamento;

- O TDAH é um transtorno neurobiológico que inicia na infância e pode num percentual de 40% continuar ativo na vida adulta, principalmente com a presença de sintomas de desatenção;

- Foram relembradas as principais áreas cerebrais envolvidas nos mecanismos fisiopatológicos do transtorno: córtex pré-frontal dorso lateral, responsável pela atenção mantida e resolução de problemas; córtex cingulado anterior dorsal, responsável pela atenção seletiva; córtex orbito-frontal, responsável pelo controle de impulsos e córtex pré-frontal motor, responsável pela hiperatividade.

- O mecanismo neuroquímico subjacente responsável pelo transtorno envolve uma dessintonização desses circuitos pela insuficiência ou excesso da neurotramsmissão noradrenérgicas e dopaminérgicas.

- A presença de vários diagnósticos simultâneos no adulto( comorbidades) é a regra, o que aumenta o desafio diagnóstico e o cuidado na escolha de estratégias de tratamento.

- Entre os diagnósticos prevalentes nos portadores adultos de TDAH estão o uso e abuso de substâncias, transtorno de humor, transtorno de ansiedade e dependência de nicotina;

Por fim, houve espaço para que cada participante da audiência fizesse perguntas e compartilhasse a sua experiência pessoal no tratamento desse importante transtorno, que vem sendo mais reconhecido como alvo nos tratamentos, para uma completa melhora  na qualidade de vida dos pacientes.


terça-feira, 12 de maio de 2015

Menos é mais



"A riqueza de um homem é medida pelas coisas de que ele pode abdicar."

" O pior baque é ser rico, acostumar-se com a riqueza e depois ficar pobre."

Essas frases me levam a pensar no que verdadeiramente constitui uma riqueza.

Riqueza é aquilo  de que podemos abdicar ou aquilo de que não podemos abdicar?

A riqueza, na minha opinião, é a saúde! Sem ela, o resto é o resto. Causa-me um misto de estranheza ver pessoas com o pé na cova economizando dinheiro ou falando em dinheiro. Aí me ocorre que uma pessoa morre exatamente da mesma maneira que vive.

Então, riqueza é o que temos! 

Se precisamos de menos coisas para sermos ricos, então seremos ricos com mais facilidade. A riqueza depende da qualidade do que temos, não da quantidade.
Quem precisar acumular  mais e mais bens materiais, pode continuar pobre, mesmo tendo dinheiro.

Ter riqueza e ser rico não são sinônimos. Se você acumula bens materiais e não usufrui deles, não é rico. Se você usufrui das riquezas, mesmo sem acumulá-las, você é rico, sem riquezas.

Então, acumular riquezas é um contra-senso. A não ser que isso seja muito importante para a sua Felicidade. Vá em frente.  Talvez você queira deixar uma herança polpuda para os descendentes disputarem entre si.

Não estou advogando que seja errado acumular bens materiais, nem que alguém deva dilapidar o patrimônio antes de morrer. Defendo o bom senso de não trocar a vida pelos bens materiais.

Durante a vida é relevante descobrirmos o que constitui "riqueza" e o que é um "supérfluo". Para vivermos bem, precisamos viver como ricos, usufruindo do " supérfluo". Mas o supérfluo não precisa constituir a riqueza,  nem ser eliminado para aumentar a riqueza material.

O que precisamos para viver bem?

Atender a todas as nossas necessidades pessoais, inclusive usufruindo do "supérfluo". 

O que não precisamos para viver bem?

Sacrificar a vida por bens materiais e abdicar do supérfluo para acumular mais riquezas.

Tenho uma lista de supérfluos de que não abro mão: IPhone, Apple TV, tênis de corrida com amortecedores, comidas saudáveis, viagens para o exterior, cursos de autodesenvolvimento, jantar fora, massagem, roupas confortáveis , óculos com armação "fashion", relógio maneiro, perfumes, livros e motorista particular.

Tenho uma riqueza de que necessito: Saúde!



segunda-feira, 4 de maio de 2015

Alugo cérebros, mas não os compro



Descobri que alugar cérebros é como alugar filmes. Assisto-os e depois os devolvo. Ou melhor, tendo Apple TV, assisto e depois arquivo.

Comprar filmes já demonstra que estou virando um colecionador. E comprar cérebros, ou melhor dizendo, as representações mentais de pessoas, é aderir à uma ideologia.

E qual a ideologia que vai resolver todos os meus problemas? Nenhuma. O que acontece é que muitas ideologias vão melhorar a minha vida, de alguma maneira parcial.

Então, a postura mais favorável para usufruir das possibilidades é alugar a mente de pessoas diferentes que considero "úteis" para facilitar a minha vida.

E como ficamos mais inteligentes quando mais de uma mente se conjuga para nos ajudar a pensar.  Podemos enxergar as coisas de diferentes perspectivas. Podemos ter "insights", epifanias, enquanto navegamos nas mentes alheias.

Descobriu-se que temos uma memória de trabalho, que é uma espécie de "equilibrista de pratos". Essa memória consegue girar 4 pratos( pedaços de informação) ao mesmo tempo, mantê-los em rotação, sem deixar cair no chão. Mais do que isso, algum prato vai cair. A nossa memória de trabalho lida bem com 4 pedaços de informação ao mesmo tempo.

Quando alugamos mentes, essa memória de trabalho se expande! E se pensarmos enquanto os outros pensam, vamos girando mais e mais pratos, com a confluências de ideias diversas, que se potencializam ou se chocam! Ao se chocarem geramos percepções novas! Vira uma sinfonia de pratos. Uma sinfonia de ideias!

A memória de trabalho aumentada aumenta a inteligência. 

Vou indicar o YouTube como um local para alugar mentes. Pode ser o TED.  Pode ser o encontro com pessoas que estudam o que você gostaria de saber mais. Escute um Podcast sobre assuntos diversos. Mas você precisa ser curioso e participar ativamente. Pode ser um simples livro.

Eu expando a minha mente enquanto trabalho! Enquanto navego nas mentes de meus pacientes, " cognições" me assaltam, percepções me visitam, memórias dançam na minha imaginação. 

Trabalhar expande a minha inteligência! 

Quando chego em casa, volto a ter a minha mente primária, solitária. Aí, alugo a mente da minha esposa e fico inteligente outra vez! 

Essas mentes que alugamos são determinantes na nossa vida. São os chamados conselheiros. Os cinco conselheiros na sua vida determinam o seu sucesso ou fracasso potencial, pois alimentam o seu pensamento diário.

O psiquiatra ou psicólogo também funcionam como essa mente alugada, entre outras funções. 

Da mesma maneira que alugo cérebros, não vendo o meu cérebro, alugo-o num encontro chamado consulta ou psicoterapia. E dou o meu melhor para que o paciente fique mais inteligente nessa interação.

Quem aluga a sua mente?
Você aluga a mente de quem? 
Vocês estão girando mais ou menos pratos? 
Alguns pratos estão quebrando? Por quê?

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Congressos Médicos e Experiências



Estou neste exato momento no Congresso Mundial do Cérebro, Comportamento e Emoções - 2015, em Porto Alegre.

Por que ainda participamos de congressos em  pleno 2015 ?

 Todas as palestras que assisto aqui podem ser acessadas online pelo valor de 250 reais.

Congressos médicos podem desaparecer com os anos, mas acredito que continuaremos  indo a congressos em busca de experiências! 

Que outro lugar teríamos a oportunidade de reencontrar colegas e trocar experiências?

Estou falando do intercâmbio de ideias, da convivência recreacional, da socialização, do afastamento das rotinas estafantes de trabalho. Estou falando de turismo também. Viajar nos possibilita desligar do dia-a-dia e recarregar as baterias.

O que eu posso aprender em 3 dias de convivência com os colegas é mais do que posso aprender solitariamente no consultório por meses. Isso porque terei acesso  à perspectiva de alguém que entende  e lida com os mesmos dilemas e angústias que enfrento profissionalmente.

Temos os jantares, os cafezinhos, os lanches, o hotel, o café da manhã do hotel, os espetáculos culturais e muito mais. É uma gama de atividades que chacoalha a nossa rotina de trabalhar e trabalhar e trabalhar.

Aprendi várias coisas novas dentro das salas de estudo e mais ainda fora delas.
Reencontrei colegas de residência médica, que me enriqueceram com as suas percepções.

Claro que , para acessar os conteúdos online por 250 reais, é preciso pagar a inscrição, que custou muito mais. E quando vamos a congressos, deixamos de atender os pacientes e ficamos sem remuneração.

Resumindo,  investimos muito para irmos a congressos, e graças ao apoio científico de alguns laboratórios, podemos ir a congressos com mais frequência que poderíamos sem esse suporte. Tudo isso dentro da lei, dentro das regras da ANVISA. 

Sem essas condições todas, ficaria inviável participar dos eventos. 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Estudar para quê?

Estou cansado de estudar.

Nunca pensei que pudesse cansar de estudar. Estou cansado de ler.

Ultimamente compro mais livros por hábito do que por intenção de lê-los. É quase como   a "síndrome do membro fantasma": depois que uma pessoa tem uma perna amputada, ela continua sentindo dor ou coceira no membro amputado. Diminuiu a minha vontade de ler, ficou a coceira de comprar livros.

Então comecei a ler menos.

Decidi que vou estreitar minha amplitude de interesses intelectuais. Vou me transformar num especialista em pouquíssimas coisas. E vou me transformar num ignorante generalista. Direi " não sei " com a cara mais inocente e orgulhosa possível.

Eu comecei a minha trajetória com todo o gás. Minha predileção era por assuntos escolares. Depois fiquei menos neurótico psicologicamente e englobei assuntos extra-escolares. Depois , ainda com pique, diversifiquei os meus interesses por assuntos diferentes e até exóticos, que iam da Física até a Metafísica.

Conservo leituras na minha área profissional, fiz um MBA em gestão empresarial e revisito a filosofia com frequência religiosa. Mas ando desmotivado para novas aventuras literárias.

As leituras parecem repetitivas. Acrescentam pouco. Tomam tempo.

Mas e o prazer da leitura? Nunca tive. Tinha o prazer de saber, de aprender! Sabe quem tem prazer com a leitura? Quem lê pouco. Então é um lazer esporádico. Talvez lendo menos eu possa sentir esse prazer um dia.

Estudar? Estudar para quê? 

Para saber. Mas os materiais de estudo ensinam o que não precisamos saber.  São conhecimentos inúteis, que serão esquecidos em pouco tempo. Outros conhecimentos têm utilidade restrita em alguma situação específica, mas de importância não vital.

Sempre pensei que , em matéria de estudo,  mais fosse sempre o desejável. Hoje sei que menos é mais.  Chega um ponto em que saturamos nossos neurônios com tanta informação dispensável.

Talvez eu só consiga dizer isso justamente por ter a cabeça cheia de conhecimentos que migraram para o meu inconsciente e de lá me dão a sabedoria para eu chegar a essa conclusão!  Ok, estudei tanto para concluir que existe uma certa ineficácia em estudar, depois de tanto estudar. 

Vale a pena estudar? 

Vou ser justo com a vida. O estudo me deu a profissão que tenho. Mas é o trabalho que me mantém exitoso nela. Se eu não tivesse estudado, poderia realizar um trabalho acima da média? Poderia, mas foi o conhecimento através do estudo-aprendizagem, que me possibilitou ser mais capacitado.

Então estudar é uma parte do êxito. Mas é uma parte essencial.

Quero aprender, de preferência, só o que tem valor para a vida de agora em diante. E através de outras fontes além dos textos. Talvez filmes, conversas, sei lá. 

Agora estou numa fase de me perguntar: isso serve para alguma coisa de maneira real?

 Tenho percebido que aprendi muita inutilidade desde a época da escola e não aprendi coisas importantes. Por exemplo, não aprendi a ter certeza ainda sobre o que é importante saber na vida.

 Poderia me ajudar?





Necessidades, Desejos e Vícios



As únicas  necessidades que verdadeiramente existem são as fisiológicas: fome, ir ao banheiro, sede , sono, etc. 

Quando eu tinha 12 anos, numa caçada de pombas, sob o sol escaldante, descobri o que é ter sede. E saciei a vontade tomando limonada num balde! Nunca mais senti essa necessidade de maneira tão dramática.


Um psicólogo chamado Abraham Maslow criou a hierarquia das necessidades. Segundo ele, depois que as necessidades fisiológicas são atendidas, o indivíduo busca a realização de outras necessidades. E assim continua subindo na Pirâmide até o topo. Duvido!


Sem querer contrariar o psicólogo, nós temos apenas necessidades fisiológicas, aí incluindo a necessidade de abrigo e de segurança. Fora isso, o restante é desejo, vício ou necessidade falsa. 

Eu desejo tomar um vinho( o que faço agora), enquanto espero a comida. Meu estômago faz barulhos porque estou em jejum há 3 horas. Fitando essa bela taça de vinho, sorvo alguns goles. Mas estou fissurado mesmo é na comida que ainda não chegou. Eu necessito dela. Curto o vinho, mas sou escravo da minha fome.


Abraham Maslow e a sua pirâmide foram adotados pela Administração. E assim nasceu o marketing: atender desejos e criar necessidades. "Criar"!

O que angustia as pessoas é a sempre renovada lista de "necessidades" que não conseguem comprar e as insatisfações que permanecem quando essas " necessidades" são saciadas. 

O que gera insatisfação é o desejo atendido.
Um desejo atendido é apenas legal. Reconheço que os desejos temperam a vida. Sofisticam-na.

 Uma necessidade atendida é um alívio. É um prazer. Faça o seguinte: encha a sua bexiga a ponto de estourar e segure o máximo. Quando estiver quase morrendo, esvazie! Ufa! Que satisfação. Ah! A respiração é outra necessidade fisiológica.

Conto nos dedos as necessidades. Quando lhe dizem que os maiores prazeres são simples, estão falando das necessidades fisiológicas! Uma boa comida( a fome saciada) , uma boa conversa( ser acolhido), o conforto do lar( segurança).

Será que viajar é um desejo ou uma necessidade? Um desejo! Para mim tem gosto de necessidade.

Uma Ferrari ? Desejo.
Sucesso? Desejo.
Beber? Vício.
Sexo? Desejo e vício.
Ganhar dinheiro? Desejo e vício.
Religião? Desejo e vício.
Espiritualidade? Necessidade?
Novela? Necessidade falsa e vício.
Futebol? Necessidade falsa e vício.
Exercício Físico? Desejo e vício.
Saúde? Necessidade.


Somos ricos porque temos somente necessidades fisiológicas. E ficamos pobres quando os desejos sobrepujam as necessidades. Pior do que isso, somente um miserável, dominado pelo vício!

O vício é perversão do desejo. E a compulsão é perversão da necessidade.

Terminei a minha refeição! Que prazer! Saciou a minha fome. Estou finalizando o vinho. O vinho parece um acompanhante mais sereno agora que a fome foi embora. 

O garçon me oferece um cafezinho. Mais um desejo. Curto bastante. Relaxo.

Maslow tinha razão, saciamos as necessidades primeiro. Talvez a sua Pirâmide pudesse ser chamada de Pirâmide dos desejos. Ficaria mais opcional. 

Vou dormir saciado! E um bom sono me faz a pessoa mais realizada do mundo.

E você?

terça-feira, 28 de abril de 2015

Amar é assimétrico

Amar é assimétrico.

Toda simetria é a ausência de amor. Amar o quê, a não ser as diferenças ? Só conseguimos amar as diferenças que nos atraem, nos comovem, nos enredam.

Enquanto existe potencialidade num amante, a semente da assimetria traz a esperança de novas diferenças. E se essas diferenças foram atrativas, o amor se renova. Se essas diferenças forem repulsivas, o amor desvanece.

Amar é assimétrico.

Num dia um ama, noutro dia o outro ama. Longos períodos decorrem para compreendermos um ciclo completo de alternância do poder de ser amado ou da submissão de amar voluntariamente.


Os dois amarem simetricamente chama-se paixão.
Há uma simetria de desejos e entregas, de calor e de combustão. E se um( a) torna-se assimétrico através de mais devoção, o( a) outro( a) apara esses picos, planificando os desejos com novas surpresas!

Amar é sempre assimétrico.

Ama-se mais, depois se ama menos, depois não se ama por um tempo, depois se ama vigorosamente, depois se é amado.

Toda simetria pode equivaler à amizade.
Toda simetria pode equivaler à hierarquia.
Toda simetria pode equivaler à paixão, mas o amor é assimétrico.

Amar é sempre assimétrico, porque amamos as diferenças atrativas no( a ) outro(a). E chegamos a admirá-las. Quando as diferenças desaparecem, o amor desaparece. Quando as semelhanças se tornam o vínculo, ele é rompido, sobrando a eterna agonia da rotina.