Ao receber um paciente depressivo, o familiar insiste que ele não sai, não fala com ninguém. Passa muito tempo quieto. "Não quer se divertir".
E eu pergunto como ele era antes da depressão? Ele costumava sair, ir muito a festas e eventos sociais? A resposta é não.
O critério de normalidade é tão distorcido na sociedade, que o sinal de melhora de um paciente depressivo é virar extrovertido! Mesmo que ele seja, na sua essência, introvertido.
Chamo isso de "ditadura da extroversão".
Eu sou introvertido e não gosto de ver alguém querendo converter um introvertido em extrovertido. É injusto. É impossível. É uma violência.
Se a pessoa não estiver saltitando, está anormal. Se não estiver tagarelando, está anormal. Se não quiser ir a festas e baladas, é anormal. Se ela gostar de pouco estímulo, ela está deprimida.
Não, a proporção de introvertidos para extrovertidos é 1 para 2 ou até mais. E mesmo assim, na era da aparência, quem não aparece não se destaca? Quem não aparece está produzindo!
Temos que impor a "ditadura da introversão". E aqueles que gostam de discursar demais, interagir demais, sobressair demais, vamos verificar a produtividade, a criatividade e os resultados concretos.
Introvertidos são líderes melhores porque escutam mais. E são mais criativos porque acessam os próprios sentimentos com facilidade. E estudam mais porque apreciam a introspeção.
O extrovertido canta muito. Mas o ninho com os ovos é cultivado pelos introvertidos. Os introvertidos se extrovertem quando necessário, porque são disciplinados. Mas os extrovertidos só se introvertem quando, bem, estão depressivos ou perderam a festa.
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