quarta-feira, 29 de abril de 2015

Estudar para quê?

Estou cansado de estudar.

Nunca pensei que pudesse cansar de estudar. Estou cansado de ler.

Ultimamente compro mais livros por hábito do que por intenção de lê-los. É quase como   a "síndrome do membro fantasma": depois que uma pessoa tem uma perna amputada, ela continua sentindo dor ou coceira no membro amputado. Diminuiu a minha vontade de ler, ficou a coceira de comprar livros.

Então comecei a ler menos.

Decidi que vou estreitar minha amplitude de interesses intelectuais. Vou me transformar num especialista em pouquíssimas coisas. E vou me transformar num ignorante generalista. Direi " não sei " com a cara mais inocente e orgulhosa possível.

Eu comecei a minha trajetória com todo o gás. Minha predileção era por assuntos escolares. Depois fiquei menos neurótico psicologicamente e englobei assuntos extra-escolares. Depois , ainda com pique, diversifiquei os meus interesses por assuntos diferentes e até exóticos, que iam da Física até a Metafísica.

Conservo leituras na minha área profissional, fiz um MBA em gestão empresarial e revisito a filosofia com frequência religiosa. Mas ando desmotivado para novas aventuras literárias.

As leituras parecem repetitivas. Acrescentam pouco. Tomam tempo.

Mas e o prazer da leitura? Nunca tive. Tinha o prazer de saber, de aprender! Sabe quem tem prazer com a leitura? Quem lê pouco. Então é um lazer esporádico. Talvez lendo menos eu possa sentir esse prazer um dia.

Estudar? Estudar para quê? 

Para saber. Mas os materiais de estudo ensinam o que não precisamos saber.  São conhecimentos inúteis, que serão esquecidos em pouco tempo. Outros conhecimentos têm utilidade restrita em alguma situação específica, mas de importância não vital.

Sempre pensei que , em matéria de estudo,  mais fosse sempre o desejável. Hoje sei que menos é mais.  Chega um ponto em que saturamos nossos neurônios com tanta informação dispensável.

Talvez eu só consiga dizer isso justamente por ter a cabeça cheia de conhecimentos que migraram para o meu inconsciente e de lá me dão a sabedoria para eu chegar a essa conclusão!  Ok, estudei tanto para concluir que existe uma certa ineficácia em estudar, depois de tanto estudar. 

Vale a pena estudar? 

Vou ser justo com a vida. O estudo me deu a profissão que tenho. Mas é o trabalho que me mantém exitoso nela. Se eu não tivesse estudado, poderia realizar um trabalho acima da média? Poderia, mas foi o conhecimento através do estudo-aprendizagem, que me possibilitou ser mais capacitado.

Então estudar é uma parte do êxito. Mas é uma parte essencial.

Quero aprender, de preferência, só o que tem valor para a vida de agora em diante. E através de outras fontes além dos textos. Talvez filmes, conversas, sei lá. 

Agora estou numa fase de me perguntar: isso serve para alguma coisa de maneira real?

 Tenho percebido que aprendi muita inutilidade desde a época da escola e não aprendi coisas importantes. Por exemplo, não aprendi a ter certeza ainda sobre o que é importante saber na vida.

 Poderia me ajudar?





Necessidades, Desejos e Vícios



As únicas  necessidades que verdadeiramente existem são as fisiológicas: fome, ir ao banheiro, sede , sono, etc. 

Quando eu tinha 12 anos, numa caçada de pombas, sob o sol escaldante, descobri o que é ter sede. E saciei a vontade tomando limonada num balde! Nunca mais senti essa necessidade de maneira tão dramática.


Um psicólogo chamado Abraham Maslow criou a hierarquia das necessidades. Segundo ele, depois que as necessidades fisiológicas são atendidas, o indivíduo busca a realização de outras necessidades. E assim continua subindo na Pirâmide até o topo. Duvido!


Sem querer contrariar o psicólogo, nós temos apenas necessidades fisiológicas, aí incluindo a necessidade de abrigo e de segurança. Fora isso, o restante é desejo, vício ou necessidade falsa. 

Eu desejo tomar um vinho( o que faço agora), enquanto espero a comida. Meu estômago faz barulhos porque estou em jejum há 3 horas. Fitando essa bela taça de vinho, sorvo alguns goles. Mas estou fissurado mesmo é na comida que ainda não chegou. Eu necessito dela. Curto o vinho, mas sou escravo da minha fome.


Abraham Maslow e a sua pirâmide foram adotados pela Administração. E assim nasceu o marketing: atender desejos e criar necessidades. "Criar"!

O que angustia as pessoas é a sempre renovada lista de "necessidades" que não conseguem comprar e as insatisfações que permanecem quando essas " necessidades" são saciadas. 

O que gera insatisfação é o desejo atendido.
Um desejo atendido é apenas legal. Reconheço que os desejos temperam a vida. Sofisticam-na.

 Uma necessidade atendida é um alívio. É um prazer. Faça o seguinte: encha a sua bexiga a ponto de estourar e segure o máximo. Quando estiver quase morrendo, esvazie! Ufa! Que satisfação. Ah! A respiração é outra necessidade fisiológica.

Conto nos dedos as necessidades. Quando lhe dizem que os maiores prazeres são simples, estão falando das necessidades fisiológicas! Uma boa comida( a fome saciada) , uma boa conversa( ser acolhido), o conforto do lar( segurança).

Será que viajar é um desejo ou uma necessidade? Um desejo! Para mim tem gosto de necessidade.

Uma Ferrari ? Desejo.
Sucesso? Desejo.
Beber? Vício.
Sexo? Desejo e vício.
Ganhar dinheiro? Desejo e vício.
Religião? Desejo e vício.
Espiritualidade? Necessidade?
Novela? Necessidade falsa e vício.
Futebol? Necessidade falsa e vício.
Exercício Físico? Desejo e vício.
Saúde? Necessidade.


Somos ricos porque temos somente necessidades fisiológicas. E ficamos pobres quando os desejos sobrepujam as necessidades. Pior do que isso, somente um miserável, dominado pelo vício!

O vício é perversão do desejo. E a compulsão é perversão da necessidade.

Terminei a minha refeição! Que prazer! Saciou a minha fome. Estou finalizando o vinho. O vinho parece um acompanhante mais sereno agora que a fome foi embora. 

O garçon me oferece um cafezinho. Mais um desejo. Curto bastante. Relaxo.

Maslow tinha razão, saciamos as necessidades primeiro. Talvez a sua Pirâmide pudesse ser chamada de Pirâmide dos desejos. Ficaria mais opcional. 

Vou dormir saciado! E um bom sono me faz a pessoa mais realizada do mundo.

E você?

terça-feira, 28 de abril de 2015

Amar é assimétrico

Amar é assimétrico.

Toda simetria é a ausência de amor. Amar o quê, a não ser as diferenças ? Só conseguimos amar as diferenças que nos atraem, nos comovem, nos enredam.

Enquanto existe potencialidade num amante, a semente da assimetria traz a esperança de novas diferenças. E se essas diferenças foram atrativas, o amor se renova. Se essas diferenças forem repulsivas, o amor desvanece.

Amar é assimétrico.

Num dia um ama, noutro dia o outro ama. Longos períodos decorrem para compreendermos um ciclo completo de alternância do poder de ser amado ou da submissão de amar voluntariamente.


Os dois amarem simetricamente chama-se paixão.
Há uma simetria de desejos e entregas, de calor e de combustão. E se um( a) torna-se assimétrico através de mais devoção, o( a) outro( a) apara esses picos, planificando os desejos com novas surpresas!

Amar é sempre assimétrico.

Ama-se mais, depois se ama menos, depois não se ama por um tempo, depois se ama vigorosamente, depois se é amado.

Toda simetria pode equivaler à amizade.
Toda simetria pode equivaler à hierarquia.
Toda simetria pode equivaler à paixão, mas o amor é assimétrico.

Amar é sempre assimétrico, porque amamos as diferenças atrativas no( a ) outro(a). E chegamos a admirá-las. Quando as diferenças desaparecem, o amor desaparece. Quando as semelhanças se tornam o vínculo, ele é rompido, sobrando a eterna agonia da rotina.

sábado, 25 de abril de 2015

O Pescoço da Garrafa



Quando estamos com pressa, "parece que o semáforo sempre está no vermelho."

Quando caminhamos numa rua movimentada, e estamos com pressa, algumas pessoas caminham displicentemente na nossa frente, retardando o nosso passo. Tudo que queremos é uma brecha para as ultrapassarmos.

A sensação de pressa associada à " lentidão de quem caminha" ou ao semáforo que desacelera e  nos faz parar, gera angústia, ansiedade e até alguns xingamentos silenciosos ou parcialmente audíveis.

Já passou por isso?

Mas são as pessoas que andam devagar ou é você  que está com muita pressa?

__ Ambos!

Chamamos isso de "gargalo". Ou, na visão sistêmica, o efeito do pescoço da garrafa. Em qualquer situação de interdependência, a " velocidade do sistema é determinada pelo participante mais lento."

Isso vale para um time, para uma equipe de trabalho, para uma sociedade, para um país, para pessoas usando o mesmo trajeto na rua, para o casamento, para pais e filhos!

Pesquisadores descobriram que a sua inteligência é influenciada por 5 pessoas com quem você convive mais. E também os seus hábitos alimentares! E provavelmente outros atributos comportamentais e mentais.

Essa percepção é importante para entender como está funcionando a sua vida. E para que você ajuste as suas expectativas de maneira realista ao sistema em que está inserido.

Por exemplo, num casamento , o cônjuge " mais lento" vai travar o mais rápido. Numa sociedade, o sócio mais visionário será travado pelo sócio mais conservador. Isso pode ser bom, quando são diferenças complementares. Mas será ruim se forem diferenças extremas.

Mas ,por exemplo, não adianta um cônjuge "botar pilha" no outro, se for uma característica de personalidade imutável! Ou aceita o jeito ou se separa. Por isso, cônjuges muito diferentes têm dificuldade de  darem certo, porque a longo prazo essas diferenças pesam!!!!!

Estudar é outro exemplo. Um parceiro gosta de estudar e outro não gosta. Não adianta o parceiro que gosta de estudar ficar pegando no pé do outro para estudar. Não funciona!

E como esses dois exemplos, o sistema vai ser influenciado para baixo. Essa desaceleração pode ser boa, indiferente ou incompatível para a sobrevivência dos envolvidos no sistema.

 Não há o que fazer, muito menos querer acelerar "os lentos". O que resta é travar os "rápidos".



sexta-feira, 24 de abril de 2015

O Corpo precede a Mente



Atendi uma paciente que não consultava há 6 meses. Perguntei se ela havia abandonado o tratamento e  ela disse: _ " Não, estou tomando os seus medicamentos e estou bem!"

" Os seus medicamentos", perceba.

E por que não voltou depois da primeira consulta, perguntei.

__ " Por que tive vários problemas de saúde". Me operei de....., depois tive......."

Atendi a mãe de uma paciente, muito preocupada com a filha. Orientei a levar a filha ao Pronto-atendimento.

__ " Mas os médicos dizem que ela não tem nada, os exames deram normais". 
Respondi que agora poderia ser alguma coisa, ninguém está livre de ter algo físico neste exato momento.

São duas situações que nos levam a entender que o corpo precede a mente! 
Isto é, precisamos descartar alguma causa física antes de pensarmos num transtorno mental.

E mesmo que a paciente tenha um transtorno mental, ela não está livre de uma doença física.

Apesar de o cérebro fazer parte do corpo, vamos considerar o corpo do pescoço para baixo, para ilustrarmos a ideia. 

Se uma pessoa tem uma doença física e essa doença não for tratada, pode evoluir para a morte!  Geralmente são quadros agudos que podem ser fatais!

Se uma pessoa tem uma doença mental, se essa doença não for tratada, salvo exceções, quando há risco de suicídio, geralmente a evolução é mais crônica. Obviamente que muitos transtornos mentais podem levar à morte também, mas são a exceção e não a regra.

Então, o corpo precede a mente em prioridade de avaliação!

Mas para o ser humano o corpo e a mente têm o mesmo valor. Sem corpo não há vida. E sem mente não há qualidade de vida.

Primeiro descartar uma doença física.
Depois investigar possíveis causas mentais.
Se todos seguirem essa ordem, fica mais fácil confirmar os diagnósticos e recomendar os tratamentos.



quinta-feira, 23 de abril de 2015

Saúde Mental e Religião



Minha avó era espírita. Minha mãe é evangélica. Eu estudei em colégio Marista.

A religião parece ter um reflexo positivo sobre a longevidade. A Psiquiatria possui departamentos que estudam Espiritualidade e Religiosidade.

Ontem escutei um programa num canal de podcast chamado "TheThinkingAtheist".

O painel envolvia o debate de um psicólogo, uma neurocientista, um psiquiatra , um ateu depressivo e participação de ouvintes.

A primeira coisa que me chamou a atenção é que o apresentador do programa  listou os principais transtornos mentais: Depressão, Transtorno Bipolar, Transtorno Dissociativos, Transtorno de Ansiedade, etc. Não houve hesitação em sua voz em nenhum momento!

Por se tratar de um canal ateísta, percebi que o apresentador não duvida da ciência, porque o seu modelo de Saúde Mental é exatamente o mesmo em que nós , psiquiatras biológicos, e neurocientistas, acreditamos.

Mas e as pessoas religiosas?

Neste debate, ficou claro que "A Saúde Mental" é um conceito diferente para cada religião ! É como isso pode afetar a interpretação de sintomas? É como isso vai influenciar na aceitação de tratamento?

Por exemplo, uma pessoa que é " médium" está falando com espíritos ou são alucinações ?  Como diferenciar?

Ser depressivo na religião Calvinista " é decepcionar Deus no seu projeto! " Como ajudar um calvinista depressivo?

Como ficam os tratamentos psiquiátricos  nos quais pastores orientam os seus fiéis a pararem os medicamentos e os substituírem por preces?

Como fica o diagnóstico de depressão, quando um padre, nacionalmente conhecido, diz que "venceu a depressão sem medicamentos" e ensina como fazer isso num livro!

E lembro o caso da Cientologia, a religião do ator Tom Cruise, que odeia a Psiquiatria, dando suporte a entidades civis internacionais que militam contra "quaisquer" tratamentos psiquiátricos!

O ateu depressivo do painel foi recomendado , pela sua família e amigos, a se reconverter à religião para se livrar do transtorno, " pois era o seu ateísmo que havia causado a depressão"! 

As Religiões, dependendo do modelo de Saúde Mental que adotam, vão doutrinar as suas ovelhas a se comportarem de determinada maneira. 

Tenho visto que algumas religiões ajudam bastante na recuperação em quadros de dependência química. Tenho visto que espíritas recomendam tratamentos psiquiátricos adjuvantes.  Talvez esses pontos de alinhamento possam ajudar os pacientes.

Mas como ficam os pontos de discordância?

Quanto às outras perguntas, deixo para você refletir, por se tratar de uma interface relevante- Saúde Mental e Religião- , com enormes impactos na vida cotidiana.






quarta-feira, 22 de abril de 2015

Tédio Existencial



No meio de tantos sintomas mentais, detectamos  a presença do tédio existencial.

Dias atrás uma paciente, depois de batalhar, alcançou duas metas ao mesmo tempo. Antes ela estava frustrada porque não conseguia encaminhar a sua vida pessoal e profissional. Seis meses depois, ela tinha resolvido essas duas questões. Estava bem, mas entediada.

Na consulta, ao perceber isso, lancei a ideia de que agora ela estava sem desafios! Imediatamente seus olhos voltaram a brilhar.

O tédio existencial é um estado emocional permanente e transitório. Ele é permanente porque faz parte da natureza da própria vida. A vida, se analisada no microscópio, não tem um sentido pré-determinado. Ou você cria um sentido ou vai sempre trombar com o nada. E é transitório porque logo que você se ocupa, ele sai de cena e volta para os bastidores.

Viver é, portanto, entre outras coisas,  ocupar-se com atividades que desviem a sua atenção da inexistência de um sentido existencial. 

Todo e qualquer sentido é adotado( ou implantado)por cada um( em cada um )durante a vida. Pode ser uma ideologia, uma religião, um trabalho ou uma família. Mas nenhum sentido é mais importante que outro, a não ser pelo juízo de valor de quem o adota. Ou o juízo de valor de quem o julga.

O que é vida? Existem muitas explicações.
Qual o sentido da vida? Existem escolhas, mas a certeza de um sentido único não existe.

Quando você sai de cena desse teatro vivencial, e tira as vestes, vai para os bastidores, sem plateia ou aplausos, encontra o silêncio da sua consciência. 

E a consciência questiona. São as dúvidas existenciais!

E para calar a consciência, basta voltar para o palco e assumir algum personagem novamente.

Que personagem vale a pena? 

Esse personagem permite que você viva realizado ao encontrar todo o seu talento? 



segunda-feira, 20 de abril de 2015

É possível conhecer a natureza humana?



Depois de 15 anos atendendo transtornos mentais fico me perguntando se existe uma natureza humana? 

Em 15 anos tenho visto de tudo ou quase tudo. E se me fogem os casos raros, me sobram os casos frequentes.

Eu estaria vendo a natureza humana ou a natureza humana acometida de transtorno mental?  Eu já teria estatísticas suficientes para arriscar uma hipótese?

Levando em conta que a evolução é muito lenta, isto é, o ser humano não vai surpreender a todos nós nos próximos anos, posso supor que:

Que sim, somos muito previsíveis. As pequenas diferenças para melhor são resultado das oportunidades ambientais, do acaso e de algum cérebro privilegiado.

As diferenças para pior são a regra da evolução agregada aos genes, devido à influência cultural maciça e  aos cérebros medianos.

O meu microcosmos é bem pior do que o macrocosmos mundial. Isso poderia afetar a minha análise, distorcê-la. Mas essa diferença é muito pequena. Não posso comparar o Brasil com a Inglaterra em termos culturais, mas em termos humanos são similares.

Sim, existe uma natureza humana. E ela é pouco evoluída. 

Temos a submissão da maioria ao que é  pouco nobre no sentido existencial. E o ser humano é entusiasmado nas suas buscas: seduz a si mesmo em busca de dinheiro, fama, prazer, títulos e poder! E usa a mentira e a violência.

A idade da razão nunca chegou! 

 Razão não é racionalização. Razão é ponderar as consequências dos atos. Racionalização é inventar explicações aparentemente lógicas para justificar escolhas estúpidas.

A natureza humana abusa da racionalização.

Qual a perspectiva de mudança? Mínimas.

O que faremos? 

Navegaremos em mares bravios ou em mares calmos? 

Se não há perspectiva de mudar a natureza humana em proporções populacionais, podemos atuar auxiliando indivíduos que buscam o aprimoramento pessoal. Isso vai mudar o mundo? Duvido.

Poderia mudar o mundo um dia? Poderia.
Mas a probabilidade de acontecer é ínfima.

Estamos falando da resultante biológica de diferentes raças, imersas em diferentes culturas, com diferentes línguas e com diferentes religiões. O estado de anarquia contribui para a paralisação de qualquer resultante. 

E não vejo nenhum esforço na direção da união dos povos. E a união seria , se ocorresse, das mentalidades submetidas às culturas existentes!

Na evolução não há saltos tão altos. 
Tudo é lento. É mais provável que alguma catástrofe natural destrua a Terra antes. 





domingo, 19 de abril de 2015

O Mito Econômico do Valor da Educação



Quando empresários recomendaram a um "trainee"que trancasse a sua matrícula na universidade para estagiar com eles, pensei: "como esses capitalistas só pensam em dinheiro. Eles não pensam na pessoa, no capital intelectual que esse jovem representa para o país ?"

Acredito que um título com o termo "educação"afasta os capitalistas. Nenhum capitalista tem tempo para ler. Porque atividades educacionais são investimentos pessoais, de autoconhecimento e auto-evolução. Mas são improdutivas do ponto de vista econômico.

Como assim?

Isto mesmo! Educação e desenvolvimento econômico coexistem apenas, mas não estão relacionados! Pelo menos, as evidências estatísticas mundiais mostram isso. 

Sabe aquele discurso de que o governo precisa investir em educação para que  o Brasil seja um país desenvolvido economicamente? Pura balela! Discurso de político!

Desenvolvimento econômico e índices de instrução básica e universitária não têm correlação alguma! Chocante!

Como assim?

A Educação é muito importante do ponto de vista pessoal e social, mas não repercute nos índices de progresso econômico de um país! Estudar é um investimento para conquistar posições na hierarquia corporativa, mas impacta pouco no futuro econômico de um país!

Sei que parece contraintuitivo o que escrevo, mas é verdade.

Talvez por isso o governo fale em investir em cursos técnicos, porque eles tentam aumentar a produtividade e não o conhecimento formativo. Por isso,  o governo abriu as porteiras do acesso às universidades, porque precisa diminuir as distâncias dos concorrentes a vagas de trabalho , através da uniformização de todos a algum grau universitário.

Educação é um requisito para seleção, mas não determina o desenvolvimento econômico do país!

A produtividade determina o desenvolvimento econômico do país. E ela depende de atividades produtivas( o que não ocorre na educação). E quanto à "economia do conhecimento", na qual estamos inseridos? Ela sempre existiu! Se o conhecimento não vira produção, no final nada acontece do ponto de vista econômico.

O trágico é que a cultura brasileira não permite muita dedicação à produtividade. E o Pronatec até pode ter sido uma boa ideia, mas não tem funcionado na prática. E nas universidades as pesquisas geram conhecimento que não tem valor de mercado. E pesquisar em busca de lucro é perigoso!!!!! Misturar ciências e negócios gera riscos para as pessoas! É como disse o sociólogo Steve Fuller: " desenvolver pesquisas torna-se um mal necessário e quanto mais necessário, pior é o mal". Isto é, pesquisas precisam ser feitas para o bem das pessoas e não para os interesses capitalistas. Aqui está um dos  pontos de ruptura entre a Educação e o mercado, só para começar.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

A Saúde é o bem maior

A Saúde é o bem maior no ranking.

Pode parecer lugar-comum um médico defender a saúde como o bem maior na nossa vida. Mas a saúde é verdadeiramente o bem maior para todos nós!

Na sociedade atual o trabalho está colocado artificialmente como número um no ranking. A idolatria ao trabalho transformou pessoas em "peças" numa engrenagem, sempre prontas a produzirem cada vez mais, sacrificando a própria saúde.

Na sociedade atual o investimento em saúde é baixo e a promoção de saúde perde para todas as atividades geradoras de doenças e desequilíbrios. 

Então estamos na era do avesso. Na era da incoerência. Na era do adoecimento.

Pessoas adoecem porque fumam, porque bebem, porque se alimentam mal e porque são torturadas 8 horas por dia em ambientes de trabalho insalubres que as tratam mal, pagam uma miséria e não agregam um sentido existencial.

A saúde é muda. Por isso, ninguém dá bola para o seu valor. Isso só é notado quando ela é perdida. Então a vida é perdida em seguida.

Sem saúde o resto perde o valor.
Sem saúde ninguém trabalha. Sem saúde, ter dinheiro perde o sentido. Sem saúde física e mental, não existe vida na sua plenitude.

A Saúde é o bem maior em todos rankings.

Por que a sociedade nega essa realidade?



quarta-feira, 15 de abril de 2015

Uma crença Imposta


Uma crença imposta é uma intromissão na sua Liberdade.

A sua vida é curta. Agora imagine alguém usurpando o seu tempo já curto,  ao impor ideias que não são escolhidas por você! Você está abdicando da própria liberdade!

E a liberdade é a condição básica para cada um de nós alcançar a individualidade. Qualquer imposição de alguma crença significa a perda dessa liberdade de escolha.

Concorda?

Agora fazem isso com você! O tempo todo usurpam a sua liberdade!

Como se sente ao descobrir isso? Está gostando? Aceita viver a vida sem liberdade de escolha?

E se você perceber que fazem isso com você desde o dia em que nasceu!

Você não disse nem "gugu, dada" e já lhe enfiaram uma indumentária completa de um time de futebol! O time  do seu papai. Não o seu!

Ou já escolheram a sua religião. A religião da sua mãe! Ou já escolheram o seu partido político! O do seu titio! Ou escolheram a sua namorada ou namorado. Ou a sua profissão! A profissão do seu vovô! Você é praticamente um fantoche transgeracional.

As suas crenças deveriam ser escolhidas livremente. E essas escolhas só podem ser feitas , com autonomia mínima, depois que o cérebro terminou o processo de mielinizar o centro da razão: o lobo pré-frontal. Isso ocorre lá pelos 23 anos de idade, se não houver atraso no amadurecimento cerebral.

Então, você vive a própria vida ou vive a vida escolhida por alguém quando você ainda era um incapaz?



Opiniões não mudam a Realidade



Pique todas as opiniões e as coloque num espremedor. No final, o sumo é um sumo de opiniões, mas não de realidade. A realidade dá de ombros para opiniões. 

Somos donos de nossas opiniões, mas quem manda, no final, é a realidade. E opiniões não mudam a realidade! Acostume-se com essa realidade.

Vejo pessoas dando o que podem dar: opiniões! 

E falam e defendem o seu ponto de vista com ardor, e aconselham, e choram , e se emocionam, e gritam, e esperneiam, e rezam, e no final, a realidade vem avassaladora e estraga a brincadeira! Ou a festa! Ou a homilia!

A realidade é soberana.

Se você consegue influenciar algo com o seu discurso é porque a realidade o apoia ou lhe defere a oportunidade de interpretá-la acertadamente.
 

Dar conselhos sobre relações afetivas, por exemplo. Se você ficar dentro da realidade, pode até acertar, mas quem decide o final da história é própria história dos amantes! Nem são eles! Se a realidade quiser, eles ficam juntos. 

Dar conselhos sobre... qualquer coisa! 

O conselho é direcionado à pessoa, certo? Mas quem decide é a realidade, que não escuta a pessoa! É a pessoa que escuta a realidade e pode decidir se alinhar com a realidade ou não.

Então, quanto gasto de energia à toa!

Vamos enxergar realidades e não opiniões. Opiniões custam um vintém furado e geralmente não acontecem. 

E quem quiser se iludir com opiniões, empanturre-se com fofocas, com moralismos, com a TV, com opinião do vizinho, da vizinha, do padre, do pastor , da cunhada, do cunhado e  do político.

Quem quiser enxergar a realidade, abra a percepção que não julga, mas computa. E quem for preguiçoso para isso, espere a realidade chegar um dia! Quando ela chegar, você entenderá.

Aprendi a aceitar a realidade. A realidade é diferente do que você pensa ou lhe dizem.

Sabe aquele casal que ia se separar? Eles continuam juntos.

Sabe aqueles pacientes com câncer terminal que buscaram a medicina alternativa ? Morreram todos.

Sabe aquele alcoolista que ia parar de beber pela sétima vez? Continua bebendo.

Isso é o que a realidade mandou dizer. 

Talvez um dia ELA envie recados mais afetivos para os corações que sofrem e gostariam de influenciá-la com a noção do certo e do errado. Por enquanto, ELA  não está nem aí para a sua opinião!

E as exceções? É um capricho desconhecido da realidade.